sexta-feira, 18 de setembro de 2015

vagabunda

   Saímos bêbados da balada e a discussão era calorosa. Ele acusava de eu ter me exibido pros amigos e pros demais homens na festa. Eu, irritadíssima, perguntava se me achava uma vagabunda. Ele gritava, acusando, e eu insistia na pergunta. Até que ele perdeu a cabeça e afimou que sim, me achava uma vagabunda.
    Ordenei que parasse o carro, e pra me certificar que obedeceria, abri a porta. Ele parou imediatamente. Saí sem olhar pra trás, pisando forte rua afora.
    Ele ficou ali, parado, com a porta de seu carro escancarada.
    Duas quadras depois, vejo um carro vindo pra cima de mim, em alta velocidade,  invadindo a calçada. Não consegui ver direito, só vi um vulto vindo por trás de mim, me empurrando de frente em cima do capô do carro com agressividade. Ele levantou minha saia, rasgou minha calcinha, e foi me penetrando com força.
    Quando fui gritar, ele tampou minha boca e sussurrou no meu ouvido: "vagabunda".         Sim. Ele estava ali. Fazendo com que eu assumisse a vagabunda que eu era. Só pra ele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário